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A arte das dominicanas

“Monjas Dominicanas – Presença, Arte e Património em Lisboa” é um álbum profusamente ilustrado que traça a presença do ramo feminino da Ordem dos Pregadores através da arte e arquitectura no distrito de Lisboa, como por exemplo o Convento do Bom Sucesso, a Belém.

A Ordem fundada por S. Domingos de Gusmão no século XIII deixou marcas na arquitectura e nas artes decorativas, e é essa história que diferentes especialistas abordam.
 
O que ressalta nesta obra é a conciliação entre o saber erudito e a capacidade de poder ser acessível ao grande público.
 
A Ordem dos Frades Pregadores, uma das intelectualmente mais preparadas da Igreja Católica que serviu para combater ideologicamente as heresias albigenses e cátaras, foi fundada em 1207 por S. Domingos de Gusmão confirmada sucessivamente pelos Papas Inocêncio III, em 1216, e Honório III, em 1216.

Chegou a Portugal em 1217 pela mão de Frei Soeiro Gomes, que foi companheiro de Gusmão, e a estabeleceu na serra de Montejunto, em Alenquer.
 
O ramo feminino da Ordem, que é a este que se refere a obra, estabeleceu-se em Portugal, em Chelas, por volta de 1219.
 
As decisões liberais de Joaquim António de Aguiar, denominado por “mata-frades”, em 1834, levaram à extinção das ordens e congregações religiosas e ao consequente abandono e perda do seu património que só anos mais tarde Teresa de Saldanha, em 1868, quando funda a Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Siena, irá procurar recuperar, entre outras missões, como o apoio às crianças e às mulheres.

Em definitivo as irmãs dominicanas instalam-se em Portugal em 1932 em Azurara, aldeia próxima de Vila do Conde.
 
Em termos estruturais este álbum divide-se numa primeira parte onde diferentes artigos traçam a vivência monacal dominicana e uma segunda sobre o historial artístico dominicano destacando os oito principais núcleos que existiram ou ainda subsistem, designadamente o do Salvador, de S. Félix, da Anunciada, da Rosa, do Sacramento, de Santa Joana, do Bom Sucesso e de Santa Maria do Lumiar.

A história de cada um destes edifícios religiosos é contada pormenorizadamente: a fundação, crescimento, acrescentos ou demolições, recheio e até figuras proeminentes.
 
Definitivamente o ramo feminino da Ordem Dominicana fica mais bem conhecido e este álbum é um ponto de partida para novas investigações (há um extraordinário aparelho de notas que acompanha cada um dos15 textos). Informação sistematizada, com pistas de investigação, material inédito, mas numa linguagem acessível que as fotografias ajudam a folhear e a saborear as 248 páginas.
 
Além do historiador de arte Vítor Serrão, os coordenadores científicos desta obra são Ana Cristina da Costa Gomes, José Augusto Mourão e José Eduardo Franco, tendo cabido a coordenação executiva às Monjas Dominicanas do Lumiar. Destaque para as excelentes fotografias de Paulo Lima.




António Coelho



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