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"Povo que canta" está de volta

“As pessoas ou estão em lares, longe das suas terras, ou morreram, ou estão em Andorra [emigradas]", afirmou Paulo Lima, 44 anos, numa entrevista à Lusa.
Os 37 episódios da série “Povo que Canta” produzidos, a preto e branco, pela RTP na década de 70 pela dupla constituída pelo realizador Alfredo Tropa e pelo musicólogo francês foram passados a DVD e vão integrar uma coleção de 12 volumes constituídos pelos discos e livros acompanhados com textos de especialistas, entrevistas e fotografias recentes.
Além das pessoas, também os locais já não estão lá. Paulo Lima conta que teve que recorrer à ajuda do presidente da Junta local e a anciões para localizar uma eira onde foi rodado um dos episódios.
“No Soajo [vila do Gerês], o local onde se faziam festas e se reuniam portugueses e espanhóis está transformado numa lixeira”, exemplificou.
Na visita que fez a 40 dos 60 locais onde foi gravada a série de 37 episódios destinada a mostrar a música tradicional portuguesa, o antropólogo diz que encontrou “outro país”, que “se moveu e alterou profundamente”.
“Não digo que evoluiu ou não evoluiu, [mas] mudou-se completamente”, afirma, acrescentando:”Só em dois locais encontrei aspectos que têm alguma continuidade”.
A cultura popular rural que tanto apaixonava Giacometti – de que se assinalam 20 anos sobre a sua morte na quarta-feira – ”ou está nas mãos dos grupos folclóricos ou desapareceu simplesmente”, garante o antropólogo, que desenvolveu o projecto para a Tradisom, editora liderada por outro entusiasta da música tradicional, José Moças, em colaboração com a RTP.
O realizador Alfredo Tropa, 71 anos, continua a evidenciar o orgulho que tem no trabalho que desenvolveu ao longo de dois anos (1970-1972) com uma equipa de oito pessoas que, nalgumas vezes, tiveram que recorrer a animais de carga para transportar o material até locais recônditos onde estavam os protagonistas que queriam filmar.
“Talvez seja o trabalho mais importante que fiz RTP”, admitindo que, depois disso, a estação pública não voltou a produzir algo semelhante.
Só lamenta que não tenho sido filmado a cores, mas isso multiplicaria por seis os custos que teve o projecto.
“A partir de determinada altura apercebi-me que estava a fazer uma coisa muito importante. Sociologicamente era muito importante para se saber e deixar um testemunho de como era o país na altura”, contou.
A linguista e investigadora Maria Aliete Galhoz, 81 anos, amiga de Giacometti, com quem colaborou, mostra-se cética e muito crítica quanto ao efeito que possa ter na opinião pública a edição da série com 40 anos em formato digital.
“A maior parte das pessoas não se vai confrontar com nada, porque ignora” o país de então e o actual, criticou a investigadora, uma das primeiras editoras do poeta Fernando Pessoa e que deu à estampa os dois volumes do Romanceiro Popular Português.
Reconhece que há quem vá fazer uma comparação entre a realidade de então e a actualidade, mas o que faz questão de realçar é que a pobreza retratada nas imagens mostrava uma “luta existencial básica que está ainda pior hoje”.
“A fome não saiu do dicionário”, exclamou.
A série de 12 volumes vai ser editada ao ritmo de um por semana, até Fevereiro, e será distribuída com o jornal Público ao preço de 8,90 euros.
(ES)







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