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O fado é português - João Braga

Após nove anos sem gravar, João Braga regressou aos discos com "Fado nosso", em que canta Manuel Alegre e um "não-fado" - um poema de David Mourão Ferreira- e faz "uma síntese" de "Babel e Sião" de Camões. Em declarações à Lusa, o fadista afirmou que esta oportunidade de gravar lhe permite "prestar homenagem a um dos grandes vultos do fado, Alfredo Marceneiro, que nos últimos tempos tem sido muito maltratado", e também a João Ferro Velho de quem canta "Não terás salvação".
O fadista conheceu João Ferro Velho nas tertúlias de Cascais, onde "cantava este fado como se fosse a última coisa que fazia, tal era o sentimento, mas nunca o gravou". "Quando o João cantava, lembro-me, aí por volta de 1963, tinha eu 18 anos, quem o ouvia, ficava tão compenetrado e em silêncio que parecia que se assistia a uma missa", recordou. O poema de "Não terás a salvação" é de João de Freitas que glosa uma quadra de Henrique Silva, com música de Georgino de Sousa. "É um fado que gosto muito, pois é na linha mais tradicional, é puro e duro, como dizemos, mas tem um toque de picardia", acrescentou.
"O último faia" é o fado de homenagem a Marceneiro da autoria de António Tavares-Teles, que João Braga canta na melodia do fado Versículo de autoria de Alfredo Marceneiro. "Para mim resolvo a situação. Não tenho dúvidas que a paternidade do fado é de Alfredo Marceneiro, e é um fado em tom menor, como tantos outros, mas não é o fado menor. Eu provo isso nesta interpretação", declarou.
João Braga referia-se à polémica levantada há dois anos quando Carlos do Carmo com "Fado da Saudade" (letra de Fernando Pinto do Amaral) recebeu o Prémio Goya para a Melhor Canção Original, e que o interpreta no fado menor em versículo. "O Fado Versículo é do Marceneiro e acabou-se a conversa", afirmou peremptório João Braga que conviveu com o criador de "Bêbedo pintor".
"O Fernando [Tavares-Teles] intitulou-o 'O mestre' mas eu pedi-lhe para lhe chamar 'O último faia' que é para mim o que foi o Marceneiro. Era um refilão de primeira, mas não o ignorante que muitos tristemente quiseram fazer passar quando houve essa polémica", argumentou Braga. O fado faz referência aos vários fados que celebrizaram Alfredo Marceneiro e à sua obra de marcenaria "A casa da Mariquinhas", actualmente exposta no Museu do Fado, em Lisboa.
"Babel e Sião", que João Braga musicou, é para o fadista "o essencial da ideia de Camões". É o poema que o "deslumbra" e que relê, por o "considerar o que há de melhor na lírica camoniana".
"Elegia do ciúme", de David Mourão-Ferreira, é o "único não-fado do CD, é um balada feita pelo Nuno Rodrigues, e em que nem entram as guitarras portuguesas", explicou Braga.
Manuel Alegre "amigo de longa data" de João Braga assina dois poemas e recita uma parte de "Soneto da separação" de Vinicius de Moraes e a quem se deve o título do álbum. "Depois de pensar em 'fado inteiro e reunido', tirei o 'reunido'. Ficava pomposo. Também não gostei e mudei para 'fado meu' mas lembrou-me logo uma coisa brasileira, 'sonho meu'. Foi então que o Manel [Alegre] descobriu este 'fado nosso'", esclareceu. "Fado nosso", também pelas ideias que partilham sobre o fado, reconheceu fadista que abre o CD com um poema Alegre, em que se reivindica a matriz portuguesa do fado.
Em "A origem do fado", com música de José Fontes Rocha e João Braga, defende-se que "a origem do fado pouco importa" e segundo o fadista "a sua matriz é portuguesa, senão outros já o tinham reivindicado".
Braga interpreta ainda poemas de João Linhares Barbosa, o seu poeta popular preferido, e dois poemas de Vinicius de Moraes.
O fadista destacou a participação "afinada" de Cuca Roseta em "Apelo" e a forma como os instrumentos foram "brilhantemente captados, com uma nitidez única" por Rui Guerreiro.
João Braga é acompanhado por José Luís Nobre Costa e Pedro Castro (guitarra portuguesa), Jaime Santos Jr. (viola), e Joel Pina (viola-baixo).








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