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Cinema
Ser gay em Paris

Vassili (Stéphane Rideau) é um prostituto trintão, com instinto assassino contra aqueles que, ao acaso, vê como culpados por algo que não se consegue bem perceber.

Enquanto clientes e colegas lhe dizem que já está velho para este trabalho, o angelical Angelo (Dimitri Durdaine) inicia com ele uma relação amorosa e profissional, acabando por se juntar aos assassinatos do seu companheiro.

“O Nosso Paraíso” (Notre Paradis), realizado pelo francês Gaël Morel, é  um drama homo-erótico que tem como principal objectivo construir uma relato da noite sexual de Paris, com aspirações críticas mas sobretudo poéticas, na forma de cenas de sexo mais ou menos explícito.

Infelizmente, a história do filme é caótica, com muitas personagens e sub-enredos a surgirem sem critério ou sequer sentido.
Como já foi dito acima, não se chega a perceber o que leva Vassili a odiar tanto os seus clientes – será a frustração da idade avançada ou o facto de os considerar responsaveis pela vida que teve? Mesmo o desenvolvimento do próprio Angelo ao longo da história torna-se verdadeiramente aleatório no meio de tanto impulso sexual.

Na verdade, dá a sensação de que o tema do filme é o "ser gay" e que a história trata apenas de algo acessório.
Ao contrário de "Felizes Juntos (Kar Wai Wong), onde, por acaso, as personagens são homossexuais, e a solidão é o tema central do filme, em "O Nosso Paraíso" essa identidade é tratada como a razão para.
Até a própria prostituição parece advir daí. Não se esforçando por fugir a esta sugestão implícita, o filme começa a ruir.

Todavia, “O Nosso Paraíso” é um filme corajoso, fortemente próximo da filmografia recente de Lars Von Trier, sem o pulso do dinamarquês, é certo, mas com o talento necessário para gerir cenas nada fáceis de encaminhar para um nível “aceitável” no cinema comercial.

Para aqueles que procuram explorar os lados mais experimentais do cinema, este filme tem todo o interesse.
Segue, aliás, a linha de “A Hole in My Heart” de Lukas Moodysson, com o qual partilha, inclusive, a dificuldade de enquadrar o choque visual com um argumento bem orientado e de algum propósito.

Num futuro próximo, quiçá, estes e outros filmes poderão ser citados como influências de alguns realizadores melhor sucedidos - então - neste caminho. Até lá, regista-se o esforço.








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