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Literatura e crise em debate no Instituto Cervantes.

Realizou-se hoje, 28 de Fevereiro, no Instituto Cervantes, em Lisboa, a oitava mesa-redonda do festival Correntes D’Escrita.
Neste encontro, moderado por Helena Vasconcelos, participaram Manuel Moya, Afonso Cruz, Ana Paula Tavares, Valéria Luiselli e Care Santos.

A conversa teve como ponto de partida o tópico "Traços de crise enriquecem a arte", lançando-se numa sucessão de olhares – sempre distintos - inteligentes e criativos, transmitidos de forma poética, da realidade.

As primeiras palavras da mesa, da responsabilidade da moderadora, abriram as hostilidades num tom muito crítico: “a cultura será sempre o último reduto civilizacional, apesar de alguns preferirem vê-la como um luxo”.

Os restantes seguiram a deixa.

O português Afonso Cruz apontou baterias à passividade dos portugueses, defendendo que estes se deveriam queixar mais.
Lembrou que Job (personagem bíblica) também “nunca se queixou” e que até “duplicou a sua fortuna” mas os filhos que “lhe foram tirados não voltaram a ser devolvidos, mas antes trocados, e isso não é exactamente a mesma coisa”.
Recusou ainda a ideia de que a crise tenha algum lado positivo, como o improviso, lamentando que nestas situações as coisas muitas vezes “sejam mal feitas”.

Angolana, a escritora Ana Paula Tavares aproveitou a ocasião para comparar a crise “constante” do seu país com aquela que se vive actualmente na Europa. A autora lembrou os anos em que a ex-colónia se viu a braços com a ocupação sul-africana, que aterrorizou a população; os anos de guerra civil e as gritantes disparidades sociais. Avaliando o papel da literatura do país, afirmou que todas estas crises “não geraram melhores escritores”.

Numa declaração, pautada pela ironia, de impaciência em relação ao “discurso da crise” que enche as televisões, a espanhola Care Santos disse que não consegue ligar o aparelho: “prefiro ficar na ignorância, limito-me a ler livros, sou mais feliz assim”. Defendeu que a palavra crise é “mais uma daquelas palavras vazias de conteúdo que servem para se justificar tudo”.

Há muito tempo ligado à literatura portuguesa, Manuel Moya lançou recentemente o livro Cinzas de Abril e talvez por isso apelou a “um novo 25 de Abril, onde as pessoas possam abrir as persianas e ver algo de diferente”. Destacou a “responsabilidade” dos escritores de “pensarem de forma diferente” para que, pelo menos, tentem trabalhar por “um mundo melhor”.

Vinda da Cidade do México, a ensaísta Valéria Luiselli alertou para os preconceitos existentes no mercado editorial, dando o exemplo do constante apelo das editoras para que os autores deste país adoptem uma perspectiva “narco-realista” do mesmo.

Todavia, este não foi o único evento deste encontro do festival. Em jeito de introdução à mesa-redonda, Luís Sepúlveda e Daniel Mordzinski apresentaram formalmente o seu livro "Últimas Notícias do Sul".
Nascido de um desejo dos dois “irmãos” de fazerem uma reportagem sobre a Patagónia, livres da “tirania editorial”, o livro faz um relato das pessoas e dos locais de uma das zonas do mundo com as condições climatéricas mais adversas, que tornam a vida das pessoas, nas palavras do escritor chileno, “muito dura, sem lugar para preocupações com nacionalismos”. O mesmo disse que este é um livro que “desmistifica a rivalidade criada por alguns políticos entre argentinos e chilenos”.

Tiago Ribeiro








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