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Paulo Eduardo Campos revela-se na sua “Casa dos Archotes”

Paulo Eduardo Campos nasceu em Lisboa num dia de Setembro. Talvez que a melancolia musical que se sente no cheiro de Lisboa quando no Outono, tenha inspirado o lirismo que se solta dos seus versos, alguns de alegria profunda outros de uma amargura desmesurada “a minha casa é o tempo/ aqui perco a minha vida”.

Segundo ele foi tarde que despertou para a escrita, tinha 20 anos. E foi Florbela Espanca e a sua poesia dolorida que determinaram a sua aventura no mundo da palavra que lê sentimentos.

E em conversa com Paulo Campos a primeira pergunta impunha-se:
- Porque sentiu a necessidade ou a vontade de escrever poesia?

E a resposta foi clara, concreta e concisa:
A iniciação à poesia surgiu por brincadeira, muito antes de suspeitar que viria um dia a escrever ou publicar.
Comecei tarde a ganhar o gosto pela leitura. A entrada na poesia surgiu aos 20 anos quando li, pela primeira vez, o livro “Sonetos” de Florbela Espanca. A Florbela foi a minha primeira influência. Toda a melancolia, a tristeza, a forma como descreve o amor, foi algo que me marcou imenso e tive vontade de começar a experimentar escrever.

- Considera que esta actividade completa ou é mesmo necessária à sua vida?

Considero que as duas estão correctas e complementam-se.

Se por um lado a poesia me completa, por outro, é a forma que tenho para expressar o meu lado emotivo, uma vez que profissionalmente, a minha actividade é bastante racional. E a poesia é a forma que encontrei de equilíbrio entre o mental e o emocional. É esse lado emotivo que me leva a escrever.

E o acto da escrita, em mim, funciona quase como uma catarse, um esconjurar de demónios…


Quisemos saber o que pensa Paulo Eduardo da situação actual da cultura em geral e da poesia em particular, em Portugal.

E o poeta responde-nos :A cultura, em Portugal, está doente (assim como muitas outras áreas que são cruciais). E o seu estado de saúde tem vindo a deteriorar-se. Tem sido desprezada. Mais ainda com as medidas de austeridade já anunciadas para 2012. É urgente não deixar a cultura para segundo plano.

Relativamente à poesia e, apesar de se dizer que Portugal é um país de poetas, sou daqueles que partilha da opinião que a poesia “um parente pobre da literatura”. Não existem muitas pessoas a comprar poesia. Penso que ainda se tem a ideia que a poesia é para um pequeno grupo elitista. Além disso, a poesia, não é, normalmente, um estilo literário em que as editoras decidam “apostar” em novos autores. Paralelamente, o destaque dado nas livrarias é, e será sempre, inferior ao romance.

Poucas são as pessoas que, por exemplo, adquirem poesia como leitura habitual, ou mostram interesse em conhecer novos autores neste género literário.

E projectos, tem? Em poesia ou noutro género literário?

O segundo livro (“a casa dos archotes”), foi editado em Setembro deste ano e, para já, não existe nada em concreto neste momento. Existem algumas ideias, ainda embrionárias, que talvez se possam vir a materializar. E ao acontecer, será em poesia.

E terminando uma conversa que decorreu entre copos de vinho e demonstrações de amizade porque de uma festa se tratava, perguntámos ainda a Paulo Eduardo Campos, 

- Que escritores admira em prosa e poesia?

Tenho preferência pelos nossos escritores. Sou um defensor daquilo que é feito no nosso país, não só em termos literários, como também, em termos musicais. Temos grandes valores na nossa cultura, infelizmente, nem sempre com o devido destaque ou com o devido reconhecimento, não só pelos meios de divulgação ou pela crítica, mas também, por parte do público.

São bastantes as minhas preferências, principalmente na área da poesia. Mais que preferências, acabam por ser consciente ou inconscientemente, influências. Entre muitos, destaco: Joaquim Pessoa, José Agostinho Baptista, José Luís Peixoto, Al Berto, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa, Florbela Espanca, Ruy Belo, José Saramago, Fernando Pessoa e muitos outros que, de momento, não me recordo. 
 
Paulo Eduardo colaborou em alguns jornais regionais e,  também, no Diário de Notícias, no suplemento DN Jovem.
Participou em algumas antologias de poesia e prosa poética portuguesa (Da Poesia Vol. II (1995) e Vol IV (1996), Editorial Minerva; Poiesis Vol. VIII (2002) e XIV (2006), Editorial Minerva), na Revista Literária SOL XXI (2000), no Cancioneiro Infanto-Juvenil "Um livro é…uma árvore de histórias" (2003), A casa do Sol é a cor azul (2008), Instituto Piaget e na Antologia de Poesia do Worldartfriends (2009)
Em Julho de 2005, edita o seu primeiro livro de poesia intitulado "Na serenidade dos rios que enlouquecem" sob a chancela da Editora Amores Perfeitos.
Em Outubro de 2006, recebe uma Menção Honrosa no 17º Concurso de Poesia de Santo António da Charneca.

Conhecemos mais um escritor, um poeta português, e aguardamos a sua próxima criação literária.




Zita Ferreira Braga



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